Dessa mistura surgiu uma receita infalível para a loucura!Para todos aqueles que esperam que a vida seja muito mais "que sentar no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar" Pra esses, que procuram a felicidade no conforto, que ficam anestesiados vendo tv e comprando novas tecnologias, eu digo: A morte ja chegou!!
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Rock, Magia e Gastronomia: Crise de várias idades
Rock, Magia e Gastronomia: Crise de várias idades: Desde que completei meu primeiro ano de vida tenho crises de idade,e de identidade O grande dilema que tive com um ano, certamente foi...
Crise de várias idades
Desde que completei meu primeiro ano de vida tenho crises de idade,e de identidade
O grande dilema que tive com um ano, certamente foi a angustia de não mamar nos peitos de minha mãe. Freud veio com suas teorias e minhas neuroses de hoje estão explicadas e continuam a me assombrar como fantasmas embaixo da cama, atrás das cortinas e dos meus olhos quando estão vazios.
Todos os anos, penso estar vivendo a maior e mais substancial de todas elas. E vivo, e apesar de mim, continuo vivendo.
Aos 16, cheguei a questionar a existência da minha própria criação, da criação de todas as criaturas, da criação da criação e da criação de existência, tamanha a quantidade de hormônios Demônios, presentes nas espinhas do meu queixo. Eu era queixo, peitos, pelos e nádegas crescendo contra mim.
Com 7 anos, surtei de ódio, medo e raiva, do meu pai, da escola, da mãe e dos inventores do Natal.
Todos os anos, eu surto no Natal. No meu inferno pessoal é sempre Natal, com papai Noel, 25 de março e Shopping, muitos abraços de desconhecidos e bebida barata. Pessoas desejando felicidades pelo aniversário de um Cristo que não respeitam e que certamente odiaria o Natal.
Aos 23 anos, deixei de ser eu pra ser a mãe dos meus filhos. Até minhas foto desapareceu do meu documento, quando foi pra máquina junto com roupinhas de bebê. meu coração batia no peito de outra pessoa agora. Hoje continua batendo, dividido em três. O que fiz com um terço do que sobrou de mim mesma é o que me assombra hoje.
Esse pequeno pedaço que sou eu, ainda vive, mas precisa se reinventar, resgatar o que ficou de bom no tempo, como a energia de gritar por justiça e por um mundo melhor que eu tive aos 16, a paixão de doer a barriga, a inconsequência divertida.
43 anos. Estou novamente perdida. Mas estar perdida é uma constante que me pertence.
terça-feira, 19 de julho de 2016
Taróloga.
Sou Taróloga , entre muitas outras coisas( Escritora, Gastrônoma e Professora de Português,).
É uma responsabilidade muito grande participar desta forma da vida de alguém
O verdadeiro Tarólogo não se presta apenas a adivinhar trivialidades, não age como se tudo no mundo pudesse ser resolvido com magia.
A Magia existe, é o conhecimento, a fruta proibida.
Quando abrimos as cartas, abrimos a vida da pessoa, para que o universo nos ajude a desvenda a melhor maneira de a ajudarmos a resolver seus problemas . e aí começa a jornada, porque nos tornamos responsáveis por ajudar todos os que querem ser ajudados.
Mas, quando se olha para o abismo, o abismo também olha pra você. Isso significa que antes de ajudar, é preciso se proteger e proteger o outro.
Graças a Deus, Ele nos acompanha nessa jornada espiritual, com seus anjos e protetores .
Quem tem interesse em me conhecer e ler cartas comigo, deve me procurar, se me encontrar, é porque Deus assim o permitiu. Amém.
É uma responsabilidade muito grande participar desta forma da vida de alguém
O verdadeiro Tarólogo não se presta apenas a adivinhar trivialidades, não age como se tudo no mundo pudesse ser resolvido com magia.
A Magia existe, é o conhecimento, a fruta proibida.
Quando abrimos as cartas, abrimos a vida da pessoa, para que o universo nos ajude a desvenda a melhor maneira de a ajudarmos a resolver seus problemas . e aí começa a jornada, porque nos tornamos responsáveis por ajudar todos os que querem ser ajudados.
Mas, quando se olha para o abismo, o abismo também olha pra você. Isso significa que antes de ajudar, é preciso se proteger e proteger o outro.
Graças a Deus, Ele nos acompanha nessa jornada espiritual, com seus anjos e protetores .
Quem tem interesse em me conhecer e ler cartas comigo, deve me procurar, se me encontrar, é porque Deus assim o permitiu. Amém.
domingo, 17 de julho de 2016
Rock, Magia e Gastronomia: Magia de amor
Rock, Magia e Gastronomia: Magia de amor: Amarração para o amor! Se não houvesse uma procura grande por esse tipo de magia, não teríamos um mercado crescente de magos, bruxos, f...
Magia de amor
Amarração para o amor!
Se não houvesse uma procura grande por esse tipo de magia, não teríamos um mercado crescente de magos, bruxos, feiticeiros, e terreiros de pais e mães, de santo charlatões, que prometem enfeitiçar a pessoa amada e traze-la de volta contra a vontade.
Digo charlatões, porque esse tipo de trabalho, simplesmente não existe, a não ser que a pessoa amada que esteja afastada, tenha realmente um caminho a percorrer com você., Claro, a não ser que você esteja se consultando com o próprio Alester Crowley, que não tinha ressalvas, e sabia usar de verdade utilizar-se de magia negra, mas que certamente não conseguiu fugir das leis cármicas da nossa Orbe.
Se você ama uma pessoa que NÃO te ama também, a magia certa é cultivar o amor próprio, desapegar e deixar que o universo lhe traga aquilo que lhe pertence.
Nunca deixe de considerar que na terra, nós estamos sujeitos as leis da ação e reação. Toda magia é uma energia forte de pensamento lançada no universo que retornará para você. Sem contar que temos no mundo astral uma infinidade de espíritos com intenções de prejudicar e que se fazem passar por entidades de luz e guardiões. Nem todo espírito incorporado que afirma ser uma entidade de luz está falando a verdade.
A melhor maneira de confiar em alguém encarnado ou desencarnado que se proponha a lhe ajudar é prestar atenção a alguns detalhes, como: O objetivo de quem lhe propõe ajuda espiritual é o lucro próprio???( Isso não inclui a compra de velas, ervas, ou outros apetrechos que sirvam para firmar a fé).. A pessoa que vc deseja para si é casada? Ninguém casa sem propósito, não deseje tirar dos outros, não seja egoísta. O discurso da entidade ou do mago obedecem as Leis do Amor e da Caridade:? Tudo no nosso mundo que não obedece as leis do Cristo Cósmico tende a involução.
Nunca se esqueça de olhar para os outros com amor e caridade.
.
Se não houvesse uma procura grande por esse tipo de magia, não teríamos um mercado crescente de magos, bruxos, feiticeiros, e terreiros de pais e mães, de santo charlatões, que prometem enfeitiçar a pessoa amada e traze-la de volta contra a vontade.
Digo charlatões, porque esse tipo de trabalho, simplesmente não existe, a não ser que a pessoa amada que esteja afastada, tenha realmente um caminho a percorrer com você., Claro, a não ser que você esteja se consultando com o próprio Alester Crowley, que não tinha ressalvas, e sabia usar de verdade utilizar-se de magia negra, mas que certamente não conseguiu fugir das leis cármicas da nossa Orbe.
Se você ama uma pessoa que NÃO te ama também, a magia certa é cultivar o amor próprio, desapegar e deixar que o universo lhe traga aquilo que lhe pertence.
Nunca deixe de considerar que na terra, nós estamos sujeitos as leis da ação e reação. Toda magia é uma energia forte de pensamento lançada no universo que retornará para você. Sem contar que temos no mundo astral uma infinidade de espíritos com intenções de prejudicar e que se fazem passar por entidades de luz e guardiões. Nem todo espírito incorporado que afirma ser uma entidade de luz está falando a verdade.
A melhor maneira de confiar em alguém encarnado ou desencarnado que se proponha a lhe ajudar é prestar atenção a alguns detalhes, como: O objetivo de quem lhe propõe ajuda espiritual é o lucro próprio???( Isso não inclui a compra de velas, ervas, ou outros apetrechos que sirvam para firmar a fé).. A pessoa que vc deseja para si é casada? Ninguém casa sem propósito, não deseje tirar dos outros, não seja egoísta. O discurso da entidade ou do mago obedecem as Leis do Amor e da Caridade:? Tudo no nosso mundo que não obedece as leis do Cristo Cósmico tende a involução.
Nunca se esqueça de olhar para os outros com amor e caridade.
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sábado, 26 de dezembro de 2015
O Machismo nos contos de Fadas P2 "A Bela e a Fera"
A BELA E A FERA
"Em
briga de marido e mulher ninguém mete a colher"
(ditado popular)
O conto
"a Bela e Fera", narra a história da filha
mais nova de um mercador, que tinha três filhas, porém, enquanto as
filhas mais velhas gostavam de luxo, festas e vestidos, a
mais nova, a quem todos chamavam Bela, era humilde,
gentil, generosa, e tratava bem as pessoas. Uma perfeita
"dama", totalmente encaixada nos estereótipos de comportamento
que até hoje são
exigidos às mulheres. Além, é claro, de ser
muito bela e virgem numa clara alusão à falta de liberdade sexual feminina.
Seu pai, um dia ficou pobre, mas
logo recebeu notícias de bons negócios na cidade, e resolveu partir.
As duas filhas mais velhas pediram presentes caros e Bela, apenas uma rosa.
Essa atitude ressalta o comportamento submisso e sem objetivos de crescimento material da jovem.
Quando o mercador
voltava para casa, foi surpreendido por uma tempestade, e se abrigou em um
castelo mágico no caminho. Ao partir, pela manhã, avistou um
jardim de rosas e, lembrando do pedido de Bela, colheu uma delas para levar
consigo. Foi surpreendido,, pelo dono, uma Fera horrível, que lhe impôs uma
condição para viver: deveria trazer uma de suas filhas para se oferecer em seu
lugar.
A partir
daí, começa uma história que muito se parece com a de milhares de mulheres
que sofrem maus tratos, mas não abandonam o marido ou namorado agressor , na
esperança que um dia ele mude como por encanto, e se transforme no príncipe
dos seus sonhos.
A solidão que uma mulher nessas condições deve aguentar, a
ponto de ter como os únicos companheiros, pratos e xícaras falantes.
Segundo o
IBGE, só nos centros urbanos, morrem vítimas de violência doméstica
5,1 milhões de mulheres por ano. Mulheres agredidas por seus
parceiros, física ou psicologicamente, e que continuam com seus
parceiros por amor ou
Qual foi o
sentimento que fez com que a Bela se resignasse e aceitasse e
até se
casasse com seu agressor sequestrador; Primeiro: ele era
ameaçador, segundo, era violento, embora não agredisse fisicamente a Bela, a
mantinha em cativeiro.
E
violência contra a mulher , em 98% dos casos e
psicológica e Segundo o
site,
o artigo 7º da Lei nº 11.340, tipifica
como violência psicológica qualquer conduta que cause dano emocional ou
prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação da mulher; diminuição,
prejuízo ou perturbação ao seu pleno desenvolvimento; que tenha o objetivo de
degradá-la ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões mediante
ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância
constante, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, exploração,
limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio. Traz ainda a definição
da violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação
ou injúria.
O
Capítulo V do Código Penal Brasileiro, que
define os crimes contra a honra, criminaliza a injúria, a calúnia e a
difamação, enquanto o capítulo VI, dos crimes contra a liberdade pessoal,
tipifica o crime de ameaça.
Podemos
concluir também que a Bela sofre de sérios problemas. Como se apaixonar
pelo seu sequestrador, o cara que a machuca e a faz de escrava. Depois de um
pouco de observação fica claro que temos uma Síndrome de Estocolmo, (o
nome dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um
tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor
pelo seu sequestrador).
O machismo nos contos de fadas. parte 1
"E viveram felizes para
Frase comumente encontrada nas histórias infantis e juvenis de contos de fada, onde a figura masculina é na maioria das vezes retratada
como herói, o salvador da alma frágil da mulher, que só encontra a felicidade
na união convencional.
Tenho como objetivo, o aprofundamento e a análise da cultura de uma
sociedade machista, manifesto através da literatura infantojuvenil dos contos de fadas.
Ainda há quem hoje diga que machismo não existe, mas diz frases no seu dia a dia como” correr como uma mocinha”, coisas de menina e menino”, ou que “mulher deve se dar ao respeito”, entre milhares de outras, sem notar a mensagem subliminar contida nelas, de que mulher exerce papel de mais fraca, inferior, ou não tem a mesma liberdade sexual do homem.
Ainda há quem hoje diga que machismo não existe, mas diz frases no seu dia a dia como” correr como uma mocinha”, coisas de menina e menino”, ou que “mulher deve se dar ao respeito”, entre milhares de outras, sem notar a mensagem subliminar contida nelas, de que mulher exerce papel de mais fraca, inferior, ou não tem a mesma liberdade sexual do homem.
Em uma sociedade, em que o corpo feminino esta sendo livremente vendido em comerciais de
cerveja, onde,"violência
contra a mulher é “a violação de direitos humanos mais tolerada no mundo”, segundo o site da Onu, não podemos ignorar
que ainda há distinção de gênero com clara depreciação da figura feminina.
Pouquíssimo tem
sido observado na área da educação com relação aos contos infanto-juvenis com
conteúdo machista.
Recentemente foi
publicado no site G1(http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/03/professoras-usam-contos-de-fadas-e-cartazes-para-ensinar-direitos-sociais.html), um trabalho
pioneiro realizado por professoras de educação infantil e fundamental de vários
partes do Brasil, que aborda o tema:
“Levando
para a sala de aula livros e filmes, as professoras conseguiram ouvir a opinião
das crianças sobre diversos temas. Os alunos questionaram o porquê de só os
príncipes salvarem as princesas em contos de fadas e os motivos de meninos não
poderem chorar.e
Embora
seja um trabalho gratificante, ele também é cansativo e mostra histórias nem
sempre positivas, como casos de alunas vítimas de abuso. Mas o resultado,
segundo as professoras, vale a pena, porque é através dele que elas conseguem
ajudar os pequenos e pequenas a aprenderem a respeitar os direitos de todos.”
Provar e divulgar que há machismo nos contos de fadas, esse é meu objetivo.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Enviada para Facebook do além
José Amauri Rodrigues
Gordão,
tenho certeza que já arrumou um jeito de conhecer as tecnologias mais avançadas
do mundo espiritual, e espero que essa postagem chegue até você. Não se
preocupe em responder, eu sei que não consegue ainda. Só queria contar as
novidades:
Penso todos
os dias em você depois que partiu. Foi horrível pai, o dia da sua morte física.
Fui eu quem te encontrou pela manhã sabia? Se você visse o escândalo que fiz,
ficaria com vergonha e diria:”cala boca Janaina, vai chorar e gritar na sua
casa”. Eu sinto muito que você e minha mãe tenham nos deixado tão cedo, mas
espero de coração que essa transformação radical que é a morte tenha lhe
trazido mais benefícios do que tristeza. Se vocês abrirem o coração encontrarão
um lugar maravilhoso, cheio de paz e oportunidades novas.
Não se
preocupe conosco, estamos nos virando muito bem, ao contrário do que você e a
mãe imaginavam.
Não estamos
brigando, estamos unidos, mais do que nunca pois sabemos o valor que a família
tem.
A melhor
coisa que aconteceu esses dias foi o nascimento da Ísis, ela é linda e você ia
ficar apaixonado.
Vou
aproveitar a distância e a impossibilidade total de você me xingar para contar
que dirigi seu carro uns 6 km! Foi legal. Sempre tive essa vontade.
Estou
trabalhando e estudando e esta dando tudo certo. Quero convidá-los a irem à
minha formatura. A mãe iria adorar me ver formada em letras. Eu queria tanto,
mas tanto saber como ela está... Se esta bem, se sente dor...
Tenho
estado um pouco doente, como você, tenho
problemas no coração, pressão alta.
Estamos
cuidando da chácara à nossa maneira, mas estamos fazendo o que dá.
Vendi
aquele carro nojento, em breve comprarei um Gol G4, ou Ford Fox, sei lá.
O Fernando está namorando a Gisele, e parece que dessa vez tomou jeito mesmo!!!
Não se
apegue ao que se foi, olhe pra frente e siga seu caminho, eu cuidarei de tudo
aqui, confie em mim. Logo, quando menos esperar estaremos todos juntos
novamente. Tudo ficará bem, eu prometo.
Pai, meu pai lindo dos olhos verdes e cabelo branquinho como o Papai noel, meu gordão, seus filhos te amam, seus netos te amam, eu te amo. Leia para a mãe esta carta assim que puder e diga que o pé de acerola está carregado, que eu fiz uma horta que ela ia gostar, que eu ainda canto pra ela com essa voz horrorosa que tenho, as músicas do Robertão. Se existe um laço de amor profundo nesse mundo, é o nosso. Nunca vai morrer. Comemorem o Natal, eu sei que vocês gostam.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Ser louco é bem melhor que ser infeliz!!!!!
Não existe uma fórmula mágica, amuleto ou qualquer receita que nos ajude a compreender nosso próprio coração, nossa alma. Essa busca é dolorida, difícil e necessária.
Entendo que não tive amor por mim mesma até bem pouco tempo atras.
Minha mais antiga memória de infância se refere a maus tratos.
Como eu poderia me amar, se aprendi que não era digna de amor, afeto, carinho, amizade? Como poderia sentir segurança em mim, se não existia lugar no mundo onde eu pudesse me aconchegar? Minha casa era o pior lugar do mundo para estar, era a mais cruel zona de guerra.
Percorri os piores caminhos em busca de conforto.
Aceitei homens em minha vida que me deram nada de amor, traição e mentira, simplesmente porque eu não sabia identificar AMOR!!
Conheci muitas religiões, idéias sobre a vida e a morte.
Li muito, cheguei a me esconder atras da ciência.
Hoje, com 39 anos ainda me sinto como uma criança dando os primeiros passos.
Preciso pensar muito para entender emoções e ações alheias. E ainda fico confusa!
Tenho a tendencia a acreditar nas pessoas, principalmente aquelas que dizem gostar de mim.
Pego as palavras e somo com as ações. Arranjo ainda mil desculpas para justificar a ausência e o descaso alheio.
No pior momento da minha existência, eu descobri um amparo em minha vida, um anjo. Literalmente. Deus me enviou um anjo. Impossível descrever com palavras humanas o que é uma presença angelical! Uma energia que nos modifica a nível genético até!
Conheci também a Rosa Cruz, onde aprendi a subir aos céu e falar com Deus de nosso coração, e entender o mundo em todas suas atribuições.
E mesmo depois disso, ainda tive que fazer muita terapia.
Ainda sou um ser humano "quebrado"e emocionalmente mal desenvolvido, e sinto que precisarei, não só dessa, mas de outras vidas para alcançar um ínfimo de paz.
E por tudo isso, me tornei uma pessoa incapaz de me ater a apontar o defeito alheio, ja que sou um ser humano tão imperfeito, tenho vergonha de faze-lo.
Aprendi a ter coragem de mostrar quem sou, que expor minha opinião e minhas vontades. não recebo visitas indesejáveis, não aceito que mexam na minha vida, na minhas coisas,no meu coração se eu não quiser.
Agora estou aprendendo o quanto é difícil dizer NÂO!!!
NÂO pro trabalho que eu não quero mais!
NÂO pra pessoa que não amo mais!
NÂO pros filhos que querem o mundo inteiro!
NÃO pra quem acha que ser bom, é ser escravo das necessidades alheias.
NÃO pra quem pede que eu empreste minhas coisas!
Não pra quem acha que não posso dizer o que penso, que tenho que ser uma mulher delicadinha, perfeitamente moldada pela sociedade, que lava, cozinha bem, trabalha e nunca reclama pra um homem que ele não ta fazendo sexo direito.
Não tenho medo de dizer Nãããooooo!!!!!
Entendo que não tive amor por mim mesma até bem pouco tempo atras.
Minha mais antiga memória de infância se refere a maus tratos.
Como eu poderia me amar, se aprendi que não era digna de amor, afeto, carinho, amizade? Como poderia sentir segurança em mim, se não existia lugar no mundo onde eu pudesse me aconchegar? Minha casa era o pior lugar do mundo para estar, era a mais cruel zona de guerra.
Percorri os piores caminhos em busca de conforto.
Aceitei homens em minha vida que me deram nada de amor, traição e mentira, simplesmente porque eu não sabia identificar AMOR!!
Conheci muitas religiões, idéias sobre a vida e a morte.
Li muito, cheguei a me esconder atras da ciência.
Hoje, com 39 anos ainda me sinto como uma criança dando os primeiros passos.
Preciso pensar muito para entender emoções e ações alheias. E ainda fico confusa!
Tenho a tendencia a acreditar nas pessoas, principalmente aquelas que dizem gostar de mim.
Pego as palavras e somo com as ações. Arranjo ainda mil desculpas para justificar a ausência e o descaso alheio.
No pior momento da minha existência, eu descobri um amparo em minha vida, um anjo. Literalmente. Deus me enviou um anjo. Impossível descrever com palavras humanas o que é uma presença angelical! Uma energia que nos modifica a nível genético até!
Conheci também a Rosa Cruz, onde aprendi a subir aos céu e falar com Deus de nosso coração, e entender o mundo em todas suas atribuições.
E mesmo depois disso, ainda tive que fazer muita terapia.
Ainda sou um ser humano "quebrado"e emocionalmente mal desenvolvido, e sinto que precisarei, não só dessa, mas de outras vidas para alcançar um ínfimo de paz.
E por tudo isso, me tornei uma pessoa incapaz de me ater a apontar o defeito alheio, ja que sou um ser humano tão imperfeito, tenho vergonha de faze-lo.
Aprendi a ter coragem de mostrar quem sou, que expor minha opinião e minhas vontades. não recebo visitas indesejáveis, não aceito que mexam na minha vida, na minhas coisas,no meu coração se eu não quiser.
Agora estou aprendendo o quanto é difícil dizer NÂO!!!
NÂO pro trabalho que eu não quero mais!
NÂO pra pessoa que não amo mais!
NÂO pros filhos que querem o mundo inteiro!
NÃO pra quem acha que ser bom, é ser escravo das necessidades alheias.
NÃO pra quem pede que eu empreste minhas coisas!
Não pra quem acha que não posso dizer o que penso, que tenho que ser uma mulher delicadinha, perfeitamente moldada pela sociedade, que lava, cozinha bem, trabalha e nunca reclama pra um homem que ele não ta fazendo sexo direito.
Não tenho medo de dizer Nãããooooo!!!!!
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
FIM
Percebo que as pessoas procuram o Fim das coisas.
Um final feliz.
O fim da solidão.
O fim do trabalho.
O fim da vida.
O fim do relacionamento.
O fim do sofrimento.
Mas não existe fim, existem ciclos diferentes, e tudo continua.
Estar nesse planeta é aceitar a dor como parte da vida, como a alegria, a satisfação,a angústia, a morte.
A morte é o grande instante que resume a existência?
Quando a vida física cessa, o que acontece a seguir com a matéria é algo que vivemos para esconder:
lentamente o corpo vai perdendo a temperatura, os olhos o brilho, as unhas a cor, a pele o odor, os lábios o
viço.
O que acontece com o espírito é o que vivemos para responder.
Talvez se soubéssemos a resposta nem quiséssemos mais viver.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Odete
ODETE FIGUEIREDO RODRIGUES
Mãe, a chuva esta destruindo seu pé de acerola, e alguém esta arrancando suas plantas do jardim.
Aqui, de fora do universo particular em que você mergulhou, o mundo continua como sempre, algumas pessoas acordando cedo para o trabalho, outras para sentar na praça e se embriagar, outras chegando da noitada de trabalho ou diversão. Pessoas nascem sozinhas e outras morrem em iguais condições.
Eu lembro que quando era criança tinha orgulho de ter a letra parecida com a sua e ficava assinando seu nome. Também sempre tive orgulho do seu trabalho. Tentei te agradar estudando para ser professora como você, mas herdei a paciência do meu pai.
Do meu pai também herdei a ignorância, a soberba e a teimosia.
Essa semana estava lendo a homenagem que suas colegas de trabalho lhe fizeram, e parece que você cuidou de muitas crianças com amor e dedicação.
O que acontece com uma pessoa em coma?
Você se orgulha dos bens materiais que conseguiu prover para sua família, e agora tudo isso não é nada sem você. Sua presença ativa e sábia em minha vida teria sido muito mais proveitosa do que uma chácara abandonada, casa, carro e tudo mais que você nos deu.
Herdei de você o gosto por literatura, e a depressão.
Também vem de você meu jeito de sentar, de falar alto, meus pés, minhas pernas e meu péssimo gosto para escolher marido.
Você sempre ameaçou fugir, sempre disse que um dia iria nos abandonar. Deveria ter escolhido outra maneira . Deveria ter fugido enquanto éramos crianças para nos dar uma oportunidade de viver em paz.
Paz ainda é um sonho distante. Eu tento imaginm mar como seria viver em paz. Quem sabe uma sociedade alternativa, onde não haja ninguém explorando ninguém, nem mentiras, traição.
Um lugar onde nossos filhos possam caminhar por aí a vontade sem a ameaça de serem estuprados, assaltados ou mortos. Onde as mães não escolham cuidar de seus homens ao invéns de protegerem seus filhos.
Ninguém tem coragem de limpar seu quarto, estamos esperando que você volte, porque sabemos que não gosta da nossa arrumação.
Quais são seus piores medos? Livre-se deles.
Qual o seu maior desejo? Livre-se dele.
Planejamos tudo na vida, planejamos também a maneira que queremos morrer .Tudo esta gravado no nosso inconsciente.
Quando você voltar, se você voltar, farei não só a polenta que você me pediu, mas também plantarei um milharal inteiro para você.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
novas postagens do livro Auto retrato alheio
Os demais capítulos serão publicados por uma editora.
Obrigada a todos que me acompanham.
Obrigada a todos que me acompanham.
domingo, 30 de outubro de 2011
Rock, Magia e Gastronomia: AUTO RETRATO ALHEIO Capítulo 1
Rock, Magia e Gastronomia: AUTO RETRATO ALHEIO Capítulo 1: AUTO RETRATO ALHEIO Um romance quase sem amor, de ficção, mas totalmente real, escrito por Janaina Rodrigues. Há três grandes males que...
Rock, Magia e Gastronomia: AUTO RETRATO ALHEIO Capítulo 1
Rock, Magia e Gastronomia: AUTO RETRATO ALHEIO Capítulo 1: AUTO RETRATO ALHEIO Um romance quase sem amor, de ficção, mas totalmente real, escrito por Janaina Rodrigues. Há três grandes males que...
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Auto retrato alheio, capítulo 5 e 6
Capítulo 5
Depois que minha mãe morreu, meu pai começou a bater no Arthur.
Tudo que meu irmão fazia estava errado quando meu pai estava em casa. Nossa sorte é que ele mal ficava em casa. Trabalhava muito e tinha muitas mulheres pra se preocupar na rua. Chegava a ficar meses sem aparecer. Os empregados iam embora por falta de pagamento. Eu tinha 10 anos. Aprendi a arrancar o máximo de dinheiro da carteira dele quando ele dormia, pra não deixar meu irmão precisando até de comida. As vezes eu pegava folhas de cheque e assinava. Nós comprávamos roupas e sapatos com os cheques.
Depois de um tempo eu anotava no canhoto do talão a quantia que eu tinha gasto.
Não sei porquê meu pai implicava com o Arthur. Imagino que é porque ele tinha postura de submissão, os ombros curvados, voz baixa. Também sei que meu pai farejava o medo. Todo ser humano sabe farejar o medo, a miséria de espírito fica estampada no rosto, assim como a miséria material.
O Arthur não era um miserável, ele só era pobre, porque tinha medo. Medo da morte, medo do sangue que corre dentro de nossas veias, medo da realidade cruel do mundo, medo de sofrer fisicamente, porque moralmente já é um grande sofrimento viver com medo. O medo é um fantasma que nunca vai embora, vive a espreita atrás da porta, espera o momento propício e se posta ao nosso lado, senta em nosso colo. Nunca nos abandona e toma as rédeas assim que pode. Convivo com meus fantasmas pacificamente, faço questão de vê-los ao meu lado para que eu possa controla-los.
Meu maior medo é ter sentimentos descontrolados de amor romântico, como minha mãe . Matar foi um exemplo de sentimento descontrolado, não de amor. Uma fraqueza
Perfeitamente cabível dentro do mim.
Qualquer abraço prazeroso cabe em meu corpo. Não há alguém no mundo capaz de fazer com que eu sinta saudade. Mal entendo o significado dessa palavra. A pessoa que mais surge de maneira carinhosa e que a presença física me afeta positivamente é meu irmão.
Capítulo 6
Sem pedir licença ao mundo me retirei por um longo período.
Há um buraco na minha percepção da realidade e eu não sei como preenche-lo.
Parece que minha psicóloga fez o curso na revista “Elas”.É óbvio que odeio meu pai e minha mãe e projeto isso no mundo, e aí? E depois?
É claro também que me sinto a melhor em tudo, para compensar o abandono, e que se vi violência na infância a tendência é que eu a reproduza na vida adulta. Mas o que é o certo e o errado? Errado é que me faz sofrer e eu não estou sofrendo porque não sinto culpa, remorso, amor, piedade, ódio. Nada, nada. É errado alguém aprender a se proteger? Parece que essa é ordem natural das coisas. Parece que o mundo espera que eu seja uma flor, que eu cumpra meu papel de mulher delicada e apaixonada que foi designado pela sociedade, religião e família.
Sempre senti o olhar do mundo me queimando e isso me provoca sentimentos diversos e controversos, depende do dia. As vezes uma colega de faculdade pode levar um tapa na cara por sugerir que eu me vista assim ou assado, as vezes nada acontece.
Vejo mulheres desesperadas em atraírem sexualmente , e parece que não tem um único foco, fazem disso um estilo de vida, não tem mais nada no mundo. Esse é o tipo de mulher que vê novela, filmes românticos e sonham com amor apaixonado. Como se ser humano pudesse ser feliz se relacionando com apenas uma pessoa na vida. Mas é esse o comportamento que a sociedade hipócrita exige e que todo mundo finge ter. Elas ficam toda semana até tarde da noite tentando arrumar a cara, o cabelo e o corpo em maquiadores e clínicas de estética só pra algum homem, qualquer um que seja, desejar sexo com elas.
Quando eu ficar velha, quero ser velha mesmo. Teria muita vergonha de tentar atrair macho depois da idade reprodutiva. É patético e biologicamente improvável, já que na natureza a atração para a cópula se destina a reprodução da espécie. As pessoas continuam querendo sexo depois da andropausa e da menopausa por não aceitarem o envelhecimento de seus corpos. E quem dita a regra de ser idoso é ruim é a nossa sociedade e eu não concordo. Assim como a criança e o adolescente até certa idade não estão preparados para o coito, o idoso também não está. Idoso com adolescentes então, como meu pai fazia, é horrivelmente bizarro, uma aberração biológica como cruzar macaco com barata.
Todo mundo mente e trai. A dona de casa feia, obesa que não trepa com o marido há anos porque o marido também não faz questão e provavelmente ta comendo um monte de prostitutas, faz sexo mentalmente com o lindo galã da novela .
sábado, 24 de setembro de 2011
Auto retrato alheio cap 4
Minha psiquiatra é muito diferente da terapeuta, porque ela acredita na ciência comprovada , e eu acredito também! Admito, eu tenho fé na ciência.
Só consigo lidar com o que é palpável. Não tenho fé mas acredito que no poder que ela exerce sobre as pessoas. Um dia, quando um paciente entrou em óbito, suas pernas ficaram dobradas. Foi aquela luta, médicos e enfermeiro tentando desdobrar a perna até que chegou a filha, fez uma oração que não ouvimos, e a perna do cara desdobrou sozinha, como se ele estivesse vivo. Aquilo eu vi mesmo. Pode ter sido apenas um espasmo, mas foi um espasmo sinistro!
A doutora Maria pergunta nas consultas sobre os efeitos da medicação que estou tomando. Tomo toda medicação que ela indica, pois eu a admiro como médica.
Meus dias estão cinzas, apesar do sol, apesar do antidepressivo. Durmo mal mesmo com a medicação certa. As vezes vejo o mundo como mera expectadora como se eu não tivesse o poder de mover nem uma pena, como se eu nem estivesse ali. Muitas vezes não estou ali.
Essa semana, estive imersa em lembranças do tempo em que eu comecei a namorar o Alexandre.
Nunca quis namorar com ele. Eu me imaginava acompanhada de um homem admirável, culto, rodeado de livros e sabedoria. Mas eu gostava demais de sexo pra ficar esperando o homem perfeito chegar. Toda sexta eu ia em barzinho que o pessoal da faculdade freqüentava. Ia sozinha, já que não tinha amigos. Nunca me lamentei por não ter amigos. Amigos de faculdade são nossos concorrentes do futuro, e eu sempre fui muito mais inteligente que todos da minha turma.
Uma noite eu estava procurando sexo no bar e encontrei o Alexandre. Foi o primeiro cara que me fez gozar na vida. Ele fazia sexo como uma mulher! Inevitavelmente pensei que estava apaixonada. O Amor é um jogo de interesses: interesse em sexo, em segurança, em respeito e adequação social, em aquisição de bens, até em alcançar o paraíso.
Eu pesava sempre as coisas. Ele entedia 30% de tudo. As situações que envolviam comportamento humano ele entendia 10% do que rolava, sempre. Mas fazia uma massagem deliciosa na minha bunda. De manhã, ele tinha um ritual: tomava banho e se masturbava (mesmo que tivesse transado a noite toda), tomava café puro, e passava duas horas se arrumando. Passava creme corporal, creme pro rosto, creme pro pé, e fazia uma escovinha no topete! Essa escovinha no topete me matava. Gostava de roupa de marca e bem passada. Ele mesmo fazia questão de passar sua roupa com uma água que eu não sei nome, misturada com perfume. Mas nunca me negava sexo, nunca.
O Alexandre passava o final de semana enfiado na minha casa no começo. Eu não gosto.
Com o tempo fui deixando ele sozinho na minha casa, já que ele se recusava a sair. Ele ficava arrumando minhas coisas. Se eu jogasse uma toalha molhada em cima da cama, ele tirava. Queria almoçar sentadinho na mesa. Eu gosto de comer deitada na minha cama e jogar o prato em qualquer lugar. Mas a gente desarrumava o lençol sem frescura.
Quando eu penso nele, mesmo agora que ele ta morto, fico exitada.
Uma vez ele me disse que ia viajar com a mãe, era ano novo. O celular dele ficou 3 dias desligado. Ele não me convidava pras festas em família, talvez tivesse vergonha de mim, sei lá. Eu sei que eu nunca estava presente em nenhuma reunião familiar dele. Parecia que eu nem existia na vida social do Meu namorado. Mas tinha uns dedos mágicos!
Eu tinha muitos problemas de ordem emocional que eu precisava conversar com alguém. Ele ouvia com o olhar vazio.
Um dia ele estava em uma festa com os colegas do golfe e houve um pequeno acidente. Foi ele quem levou a vítima no hospital em que eu trabalhava. Eu atendi o amigo dele, todos os amigos dele estavam lá e ele nem sequer me apresentou. Mas eu adorava fazer sexo oral com ele!
Se ele estivesse vivo hoje eu trocaria 10 anos da minha vida por uma massagem na bunda!
Depois eu o mataria de novo.´
Capítulo 5
Depois que minha mãe morreu, meu pai começou a bater no Arthur.
Tudo que meu irmão fazia estava errado quando meu pai estava em casa.Nossa sorte é que ele mal ficava em casa. Trabalhava muito e tinha muitas mulheres pra se preocupar na rua. Chegava a ficar meses sem aparecer. Os empregados iam embora por falta de pagamento. Eu tinha 10 anos. Aprendi a arrancar o máximo de dinheiro da carteira dele quando ele dormia, pra não deixar meu irmão precisando até de comida. As veses eu pegava folhas de cheque e assinava. Nos comprávamos roupas e sapatos com os cheques.
Depois de um tempo eu anotava no canhoto do talão a quantia que eu tinha gasto.
Não sei porque meu pai implicava com o Arthur. Imagino que é porque ele tinha postura de submissão, os ombros curvados, voz baixa. Também sei que meu pai farejava o medo. Todo ser humano sabe farejar o medo, a miséria de espírito fica estampada no rosto, assim como a miséria material.
O Arthur não era um miserável, ele só era pobre, porque tinha medo. Medo da morte, medo do sangue que corre dentro de nossas veias, medo da realidade cruel do mundo, medo de sofrer fisicamente, porque moralmente já é um grande sofrimento viver com medo. O medo é um fantasma que nunca vai embora, vive a espreita atras da porta, espera o momento propício e se posta ao nosso lado, senta em nosso colo. Nunca nos abandona e toma as rédeas assim que pode. Convivo com meus fantasmas pacificamente, faço questão de vê-los ao meu lado para que eu possa controla-los.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
AUTO RETRATO ALHEIO CAPÍTULO 3
Gostaria de ser esquizofrênica paranóica e ter criado um lindo universo paralelo só pra mim. Nele eu seria o Batman. Não gostaria de ser a Bat Girl porque é um personagem secundário e eu não poderia ser o coadjuvante da minha própria vida, é claro.
Mas muitas vezes é isso que nos tornamos. Colocamos os valores alheios em primeiro plano e esquecemos de ouvir nossa própria voz. Isso acontece quando aceitamos os dogmas religiosos e os padrões sociais que nos são infringidos por nossos pais, nossos professores, padres e pastores.
Minha mãe era médica, católica apostólica romana e suicida.
Ela se matou quando meu pai resolveu explorar abertamente territórios proibidos e muito mais jovens. Ele gostava de Ninfetinhas.
Eu me pergunto sempre o porquê de tantos homens gostarem de mulheres muito mais jovens e cheguei a algumas conclusões:
1-Alguns machos de nossa espécie procuram fêmeas no começo da idade reprodutiva para terem mais chances de terem filhotes mais fortes. 2- Tem medo de serem comparados com outros machos e consideram que as bem jovens não tem parâmetro de comparação. 3- As mais jovens ainda não desenvolveram o raciocínio lógico suficiente para perceberem o quanto eles são patéticos!
Minha mãe, numa tarde de domingo, quando eu e meu irmão brincávamos na piscina, deu um tiro na cabeça.
Quais eram seus pensamentos na hora em que cometeu este grande erro? Extrema tristeza? Desespero? Depressão? Talvez tudo isso junto, mas eu sei que o amor que ela deveria sentir por nós tinha que predominar perante tudo isso. Mas não aconteceu. Ela morreu de amor e ódio pelo meu pai.
Ela já era morta antes disso. Passava seus dias mexendo nas coisas dele, contratando detetives particulares, amaldiçoando mulheres, comendo, dormindo, comendo, dormindo, se desesperando. Ela também se preocupava em gastar o dinheiro que ele ganhava com futilidades da última moda. Fazia jantares em casa e procurava parecer ótima sempre, mas por dentro era um lixo humano.
Não fiquei triste quando ela morreu, fiquei curiosa com o buraco da bala aberto na sua Têmpora. Meu irmão vomitou e eu fiquei olhando, olhando... até anoitecer, chegar a madrugada. Então meu pai chegou. Bêbado. Eu só me lembro depois, no enterro, quando alguém comentava e olhava pra mim: “essa menina é fria”. Eu não podia chorar a morte de uma mãe que eu nunca tive. Eu não conseguia sentir a falta dela.
Meu irmão gêmeo, Arthur é um sujeito amoroso, carismático! Sempre foi muito sensível. Eu o defendia na escola, tinha que bater nos meninos. Tinha que protege-lo sempre.
O Arthur é Arquiteto. Mora com um amigo, é sociável. Quase morreu do coração quando eu matei o Alexandre!!! Penso nele mais do que em mim mesma.
No dia em que minha mãe morreu a única coisa que me preocupava era meu irmão que não parava de chorar e vomitar. De onde estava surgindo tanto conteúdo para ele vomitar se ele não estava comendo? Será que ele estava vomitando os próprios órgãos? Será que já esta chegando a vez de vomitar o próprio coração? Eu tinha medo dele morrer, porque eu ficaria sozinha se isso acontecesse.
Não entendo esse tipo de amor que leva as pessoas a cometerem suicídio, só entendo a raiva que leva alguém a matar.
CONTINUA....
sábado, 10 de setembro de 2011
AUTO RETRATO ALHEIO Capítulo 2
Minha terapeuta pediu que eu fizesse uma lista de coisas que eu gosto e uma de que não gosto.
Enquanto ela fala comigo, não consigo pensar em nada além do estilo menininha que ela usa aos 50 anos. Tudo rosa e branco com sapatos cor da pele. O rosa demonstra o apego ao mundo infantil, o branco e o bege, mostram falta de opinião firme, a neutralidade para não desagradar e nem agradar. Um dia o celular dela tocou durante a sessão uma musiquinha ridícula, estilo pop sucesso de rádio popular! Pra completar ela tem uma vozinha doce, carinhosa e muito fina, como se as cordas vocais não tivessem amadurecido.
A primeira coisa que coloco na lista das coisas que não gosto é: terapia com você, imbecil. Vai ser muito divertido quando ela ler pra discutir em grupo semana que vem. Provavelmente ela vai dizer: “Ayana, querida vamos direcionar essa raiva pra um lugar seguro, que não machuque ninguém? Eu respondo então: Sim querida, vamos enfia-la no.....Não confundam essa observação com superficialidade, isso é cinética.
A segunda coisa da minha lista é: evangélicos em geral e padres. São como palhaços que escondem a verdade atras de uma máscara. Ainda por cima todos usam uma máscara igual, copiada, sem originalidade nenhuma. A maioria deles...bom pode ser que haja alguém por ai diferente, eu não conheço.
Se eu não quisesse ofender minha terapeuta teria colocado em primeiro lugar: aglomerado de pessoas, como o centro da cidade, a 25 de março, shopping Center, shows, bares, cinemas. Quando eu era criança escolhi um estilo de me vestir que nunca desse trabalho na vida toda, servisse em todas as ocasiões , que independesse da moda e que não me deixasse com cara de idiota infantil: Sem vestido, sem sandália, sem brincos que combinem,sem salto. O mais confortável possível, sem encheção de saco, sem cabelão que exija muito cuidado, sem unha colorida. Tenho um sabonete, um hidratante, um shamppu.e um desodorante. Não gosto desses assuntos, esses detalhes da vida que fazem com que as pessoas fiquem vazias e superficiais. Chega uma hora que esse tipo de assunto toma proporções inimagináveis. Escolhi até a loja certa em que compro toda minha roupa, pra não ter que andar por aí. Quando rasga uma calça, reponho, e assim por diante.
Outra coisa que detesto mesmo é mal gosto musical e literário.
Atendentes em geral. Garçons nunca, nunca, nunca acertam meu pedido. O cozinheiro nunca manda a carne no ponto certo( e quando manda o Alexandre coloca alho)
Pequeno detalhe que não mencionei sobre mim: sou médica. Clinica geral.
Claro que não matei o Alexandre só por causa do alho na picanha. Aquele ato foi a gota d’agua.
Eu já estava com raiva dele por um milhão quatrocentos e quarenta e nove motivos consecutivos. Ele foi consumindo meu curtíssimo pavil aos poucos. Mentindo sobre coisas bobas . Sabe o cara que diz que nunca tem dinheiro,, pra você nunca achar que pode contar com ele pra alguma coisa importante, tipo, o seu enterro? Ou comprar um apartamento pra sair da casa da mãe porque a mãe é conveniente pra quem não pensa em morar com você nunca. Mesmo que você nunca tenha pedido nem o dinheiro do enterro, nem pra morar junto.
Morava com a mãe, era advogado e ganhava bem, andava de carro importado, viajava com a mãe pra Disney, comia em restaurantes bons, se vestia bem, jogava golfe, e chorava miséria!!! E o pior de tudo, pra mim, que não estava querendo nada.
Ele também finge que não entende e que esquece as coisas que convém.
Um dos três grandes males que afligem a humanidade é a superficialidade. Há várias manifestações comportamentais em nossa e em outras culturas. As que mais me incomoda porque são as mais presentes: A busca por padrões de beleza impostos pela sociedade de consumo. A busca por prazer sexual egoísta, aquela em que não é considerada a alma, os sentimentos alheios. As pessoas escolhem um corpo físico de formato anatômico sexualmente ultilizável (geralmente os padrões de beleza pré estabelecidos pela sociedade em que vivem). Pode ser recíproco como acontece com muitas pessoas que acabaram de se conhecer em baladas, bares, etc...(no caso há um acordo silencioso que expressa” Você usa o meu corpo físico como uma boneca inflável, eu uso o seu da mesma forma. Quando saciarmos nossas necessidades primitivas de reprodução, fingimos que nunca nos vimos”), e há a pior das manifestações de egoísmo e superficialidade que há no mundo: o uso do corpo físico mediante pagamento ou utilzação de força bruta. Para mim, estuprar e praticar sexo com prostitutas é a mesma coisa. Em ambos os casos ignora-se totalmente os sentimentos alheios em prol do prazer físico. Porque é obvio que a prostituta esta odiando aquilo, não vê a hora que termine. Faz coisas por obrigação porque está sendo forçada a isso como no estupro, só que o que a obriga nesse caso é ela mesma impulsionada pelo desejo de possuir dinheiro.
O Alexandre professava a mesma opinião que eu, e fazia uso de prostitutas escondido.
Se ele estivesse aqui agora eu furaria o olho dele com esta caneta.
Reunião em família no natal, no ano novo e na páscoa com beijinhos e abracinhos. Se existir mesmo um inferno ele será assim todos os dias da eternidade e com uma tela grande de TV sempre passando Criança Esperança.
As coisas que eu gosto são: comer, dormir, fazer sexo, e trabalhar.
Aqui estou comendo e dormindo.
Perdi minha licença para clinicar.
O que um médico faz quando não pode mais exercer sua função?
Continua.....
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Rock, Magia e Gastronomia: AUTO RETRATO ALHEIO Capítulo 1
Rock, Magia e Gastronomia: AUTO RETRATO ALHEIO Capítulo 1: AUTO RETRATO ALHEIO Um romance quase sem amor, de ficção, mas totalmente real, escrito por Janaina Rodrigues. Há três grandes males que...
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
AUTO RETRATO ALHEIO Capítulo 1
AUTO RETRATO ALHEIO
Um romance quase sem amor, de ficção, mas totalmente real, escrito por Janaina Rodrigues.
Há três grandes males que afligem a humanidade e que vão dizima-la neste tão cheio de promessas século 21: A superficialidade , a obesidade e a depressão.
Meu nome é Ayana. Tenho 26 anos,, e moro há dois anos em um hospital psiquiátrico no intrerior de São Paulo,
Todas as vezes que eu falo meu nome lembro de Shakspeare e sua famosa frase da rosa;”não importa o nome da rosa, ela vai ser sempre uma rosa e num sei que, num sei que ela do seu seu perfume”
Todas as vezes que eu falo onde estou morando espero um certo olhar de dó, ou curiosidade.
Ultimamente não tenho conversado com ninguém novo.
Vou dizer logo o que eu fiz pra não criar suspense porque afinal não quero causar essa espécie de mal estar em ninguém. Odeio aqueles programas de TV em que a apresentadora fica prometendo contar um segredo cabeludo sempre depois dos comerciais. Se eu pudesse pularia no pescoço dela num acesso de raiva e cortaria o pescoço com uma faca de carne , igualzinho eu fiz com meu namorado num restaurante público, lotado, em plena hora do almoço. Ele colocou alho frito na minha picanha argentina! Nem era a picanha dele, era a minha e ele sabia o quanto eu odeio alho, especialmente na picanha, e ainda mais argentina e mal passada!
Quando eu era adolescente, li todos grandes autores, a princípio para agradar e ficar por dentro no grupo social de nerds que eu vivia, depois por gosto mesmo. Era um crime inafiançável não ler Fernando pessoa e James Joyce!! Até hoje eu minto que li James Joyce, Ulisses. Acho que todo mundo mente que leu Ulisses. Impossivel, acho que o autor estava possuído quando escreveu 800 páginas que falam sobre um dia na vida de um homem.
Quando eu vim pra ca por ordem judicial, ficava em cela especial, sozinha.Agora já posso andar no jardim e ficar na sala assistindo TV com os outros internos. O Jardim daqui é lindo, muito tranqüilo. Eu sempre dizia que se um dia fosse parar no hospício, que ia aproveitar a vida e andar pelada o dia todo,( afinal todo mundo já fala que eu sou louca mesmo). Mas não fiz isso ainda, acho que percebi que não tenho vontade real de ficar pelada por aí e mesmo que eu quisesse os enfermeiros não iam deixar.Bom provavelmente eu conseguiria andar nua por ai uns 10 min até alguém me pegar.
Um conselho pra quem deseja andar pelado por aí: Não espere ir para um hospital psiquiátrico! Ande nu na Paulista, no seu bairro, na sua escola. Vai curtir mais tempo!
Todo adolescente quer ser bem aceito, bonito, inteligente, um líder.
Eu sempre fui bonita e inteligente. Algumas vezes líder. Mas me sentia uma idiota sempre.
Sabe aquela sensação de que ninguém gosta de você, que tudo que você fala é bobagem, apesar dos fatos desmentirem.
Não gosto de falar mal de mim, afinal ao menos eu tenho que estar ao meu lado, me dar apoio e acreditar em mim, me dar carinho atenção e muitas vezes, sexo. O sexo consigo mesmo é um ato de amor homosexual.
Fui classificada e rotulada como sociopata.
Há muitos rótulos em nossa sociedade. As pessoas adoram organizar o mundo de maneira simples, para que todos possam entender. Imagine um supermercado de seres humanos, onde você iria comprar um amigo? Na seção de vagabundas, Piranhas e Prostitutas em geral, na seção de Pessoas de bem com a vida Sempre, Ladrões, estelionatários, pilantras e afins, Bonitos, Gordos, Cafagestes, Loucos em geral, Nerds, Drogados, Tímidos. Caramba, imagine quantas devoluções!!!! Porque não da simplesmente para simplificar o ser humano como uma coisa ou outra. Aí as pessoas voltariam pra reclamar assim: “Senhor, por favor pode me trocar esse tímido, porque ele na verdade é cafageste e ladrão?”
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